Relato de Parto – Thomas

Aí que no final de semana, SP estava um calor chato! Fiquei sábado e domingo na piscina do prédio e nem pensava que a chegada dele estaria tão próxima!
À noite, marido e eu estávamos fazendo aposta de quando ele chegaria. Ambos tínhamos certeza que ele chegaria semana que vem! É, intuição é nosso forte! #fail
Segunda feira acordei 8hs e fui fazer xixi! Pensei, ah vou dormir mais um pouco! Voltei pra cama e senti um jatinho molhando minha calcinha! Pensei num super corrimento! Pensei em xixi na calça! Me liguei que era a bolsa e sai correndo e com cuidado pra não molhar a cama e o chão! Sentei na privada e chuaaaaaaa, toda a água do mundo. Uma especie de água de coco, com um resquício de sangue no final! É, nessa hora a Anitta passou na minha cabeça; PREPARA! Liguei pro marido e disse: volta pra casa, minha bolsa estourou! Parei de tremer e liguei pra enfermeira obstétrica e para q fotógrafa! Agora era questão de tempo.
Levantei, coloquei um absorvente e fui separar minhas roupas pra trazer pro são luiz. Peguei o que queria trazer e sentia umas coliquinhas. Pensei: se isso é contração, fichinha! HAHAHAHAH bobinha eu!

Marido chegou umas 10hs e nesse momento eu sentia uma dor na lombar que vinha pro pé da barriga, incomodava mas não muito! Sentia que podia falar entre uma e outra e achava que estava tudo bem! Até conversei com uma amiga pela internet! Na hora do almoço o negócio começou a ficar sério e as contrações vinham cada vez mais fortes e eu precisava parar para respirar. Só pensava em respirar.

Marido ligou para a obstetriz que disse para eu entrar no banho e verificar como eu ficava. Assim que entrei no banho, as contrações vinham a cada dois minutos e duravam em média 30  segundos. Eu já me virava de dor e só queria que marido massageasse minha lombar, ou só encostasse em mim. Saí do banho e lembro de ter tido uma contração tão forte, que me dobrei de 4 no chão. Marido levou um susto e pediu para que a Ana, obstetriz, chegasse logo!

Às 17hs ela chegou aqui em casa, disse que faria um toque para saber a quantas estávamos. Eu confesso que nessa hora, achei que ela fosse dizer que eu estava com 4cm e isso me desanimaria. Eu estava com 7cm e ela disse para corrermos senão Thomas nasceria no carro. Corremos para sair de casa e fomos para o São Luiz, pela faixa de ônibus porque precisávamos chegar rápido e na boa, São Paulo, em plena segunda feira, 17:30 chuvosa, é pedir para que não andássemos! Chegamos no São Luiz em meia hora. Lembro que tive várias contrações no caminho e a Ana me massageava. Lembro de ter falado pro marido qual a rua que ele precisava entrar e não lembro mais muito. Chegamos no hospital às 18hs e fui para a admissão. Fiz um cardiotoco e verificaram minha dilatação: 10cm, com um rebordo. Eu estava pronta para parir.

Fomos para a sala de delivery e fui direto para a banheira e lá começou a doidera: a vontade de fazer força é absolutamente involuntária. Você PRECISA empurrar “algo” para fora. E fiquei 1h na banheira e nada do Thomas vir. Me sugeriram ir para o chuveiro na banqueta de cócoras. Fui e nada. Força, força e nada. Fiquei mais uma hora e nada do Thomas vir. Fui para a cama. Fiquei de 4, empurrei. Nada. Sentei, na posição semi reclinada. Ali, víamos que a cabeça dele estava a uns 2cm de sair e NADA. Nesta hora, a Dra. Cátia sugeriu que tentássemos o vácuo-extrator. Na boa, se me oferecessem uma pinga pra ele sair, eu topava. Eram 5 hs empurrando direto e nada, ele estava literalmente na boca do Gol. Bom, veio uma contração e pimba: vácuo nele e…..nada. Thomas é um bon-vivant. Não queria sair, estava curtindo o momento. Na segunda contração senti arder, queimar, gritei. Gritei com minha alma, um grito animal, um grito que colocou o Thomas para fora. Senti o corpo dele todo saindo de dentro de mim, cada osso. Parecia que era um bebê enorme, senti um alívio instantâneo e fiquei perplexa com aquela criatura quente e molhadinha em cima de mim, escorregando que nem um quiabão. Ele estava lá. Meu bebê. Meu parasita. Meu Thomas. Marido começou a chorar, eu também. E ficamos ali nos namorando, enquanto o cordão ainda pulsava. Marido cortou o cordão e a placenta saiu.

Foram pesar o Thomas e a surpresa: 3480g! Não era à toa que não saía…. Por causa disso, tive uma laceração, porque Epi-No nenhum do mundo me prepararia para este bitelo de gente, ou mini Nelson Ned como disse marido.

Depois, o levaram para a admissão no berçário, eu jantei e eu fui para o quarto. Marido já estava lá e Thomas estava passando pela “alfândega”do São Luiz, que não deve ter levado mais que 1h. Tomei um banho, quase desmaiei, por causa do esforço, do sangue.

Fui para a cama e não consegui pregar o olho. A ocitocina rolava solta e eu só conseguia olhar para ele, dormindo ao meu lado. Não acreditava que havia conseguido. Eu tinha parido nosso bebê. Marido tentava dormir também, mas a empolgação estava no ar!

No dia seguinte vieram as visitas, mas isso é assunto para outro post, assim como o fato de ele estar ainda no hospital com icterícia. #saco

Sobre tudo:

-Faria tudo novamente. A dor existe, mas não é insuportável. Se não fossem as 5hs de expulsivo, eu estaria como nova em meia hora.

-Em momento algum pensei em pedir anestesia. Não precisava, dava para aguentar de boa e só de encostar no marido, eu já me sentia melhor.

-Marido foi parte fundamental no parto: se não fosse o apoio, o carinho, os abraços, a “motivação”dele em me dizer o quão perto o Thomas estava, nada disso teria sido possível. Eu já disse isso para ele, mas palavra nenhuma no mundo poderá exemplificar o que eu sinto por ele, especialmente depois de tudo que passamos. Gratidão é pouco. Amor, nem se fala.

-A recuperação é tranquila, muito embora a Carolzinha esteja parecendo um lutador no fim do UFC, me sinto bem. a barriga não dói, a hemorróida que surgiu sim. Mas faria tudo novamente, sem nem pensar.

-Toda essa experiência me fez refletir sobre o parto em casa. Talvez se eu tivesse parido em casa, as coisas poderiam ter tomado um caminho diferente.  Acho que ter ficado no hospital, foi um saco, claro, mas salvou meu parto, não sei explicar.  Não sei se hoje eu pensaria em ter um parto domiciliar. Eu progredi super bem na dilatação, mas no expulsivo o bicho pegou…..

-Não podia ter tido uma equipe melhor: tudo aconteceu como eu quis e as intervenções que sofri foram necessárias e em momento algum me senti desrespeitada ou maltratada. A equipe toda foi demais e só tenho a agradecer!

Agora, chega de escrever, pois preciso dormir para amanhã ir ver o Thomas no hospital!

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