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Mães e cansaço, dupla dinâmica

Existe uma lenda que diz que uma vez mãe, voce nunca mais vai descansar. Veja bem, falando da minha experiencia isso tipo o gato de Schrodinger: é verdade e não é ao mesmo tempo.

Antes de eu comecar a trabalhar fora, eu aproveitava o tempo da soneca do Thomas a tarde e descansava. Fosse vendo seriados, fosse vendo TV, fosse fazendo a unha, alguma coisa eu sempre fazia pra descansar a tao perturbada cabeça de mãe.

Quando comecei a trabalhar fora, meu cansaço atingiu um nivel nunca antes sentido: estou exausta. O fato de que ficar fora de casa, durante 8hs, faz meu cérebro ficar cansado de estar “alerta” pra outro idioma o tempo todo. Além disso, chego em casa e ainda tenho que fazer comida para nos 3, arrumar as marmitas, jantar, ficar com o Thomas, dar uma limpada básica na casa (coisa rápida, pra não acumular pelos da Amy, cabelos e pedrinhas da areia dela) e ter a maratona de colocar o Thomas pra dormir, coisa que num dia bom leva pelo menos meia hora. Ai ontem comecei a pensar, reclamando pra mim que eu queria estar na sala, vendo TV com marido, conversando ou aproveitando-me dele (if you know what I mean) e já estava ficando cada vez mais irritada, quando comecei a me dar conta da situação. O Thomas estava completamente colado em mim: cabeca entre meus peitos, braco me agarrando, perna dentro das minhas pernas. Um enroladinho de filho, daqueles bem gostosos. De repente, ele me falou “me ama muito muito muito muito muito muito you, mamae” e eu me derreti. O Thomas deve estar beirando o 1m de altura já, pesando 15kg, todo fortinho, grande demais esse meu pequeno. E começou a me dar aquela nostalgia cliche de que filho cresce muito rápido, comecei a lembrar dele bebezinho que crescia tão rápido e desde sempre me pareceu mais maduro do que é. E senti cada pedaço daquele corpinho não tão mais pequeno encaixado em mim. Ouvindo meu coração bater e respirando profundamente. Oras, ele dorme sozinho na escola, porque precisa de mim toda noite? A resposta estava ali: porque ele precisa de mim o tanto que eu preciso dele. Neste instante, parei de reclamar mentalmente e passei somente a fazer cafuné naquela cabecinha e me concentrar no calor do corpo dele, no cheirinho dos cabelos, na mãozinha me fazendo carinho. E em questão de minutos, ele adormeceu (e eu quase também, lembram do cansaço?).

O que eu conclui foi uma coisa meio boba, mas que me fez refletir: nao importa o quanto eu esteja cansada, ele não vai entender. Esse momento de ele adormecer, por mais que eu esteja cansada e seja extenuante ficar ali deitada “sem fazer nada” é exatamente o oposto pra nos: é o momento em que fazemos tudo, nos conectamos e deixamos o carinho e o aconchego correrem soltos no meio daquele emaranhado de cabelos, de pernas e de respiração.

De fato, ele não “precisa” de mim pra dormir, no sentido literal, mas é muito mais gostoso ter a companhia da mamãe. é um momento nosso, de contar historinha, de ganhar cafuné (agora o figura faz igual ao pai: levanta a blusa e diz: “cafuné em mine belly?”).

Depois desse insight, eu passei a ser mais grata por esse momento. Logico que as vezes ainda dá vontade de fugir e ter um momento de paz, ver uma TV em silencio, mas aquele quentinho do corpo dele contra o meu, um dia nao vai mais existir e se eu precisar do colo dele, provavelmente vou ouvir um “Ai, mãe, que saco”.

Entao, bora aproveitar o aconchego mútuo e aproveitar pra descansar nesse momento em que ele finalmente para de falar. 😀

 

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