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Segundinho, quem diria?

Existem pessoas que sabem que nasceram pra dar a luz. De um, 2, 3, 89608 filhos. E existem pessoas como eu, que queriam muito ser mãe e depois do parto ficaram com cagaço de engravidar novamente.

Oras, vejam bem, abram bem os olhos, porque vou ser sincera: eu amei estar grávida sim. Amei sentir cada movimento do Thomas, amei meu corpo, (meus peitos enormes idem), mas cara….o parto foi meio tenso. Não sei se pelo fato de meu expulsivo ter levado 5h30, pelo fato do Thomas ter saido com vácuo ou pelo fato de eu ter tido uma mega laceração, mas alguma coisa ali me deixou com medo.Parir é foda, uma viagem maluca, sem freio e sem passagem de volta. Uma espécie de trauma pos parto?  Bom, ai eu havia tomado a decisão de que um filho estava de boa. Não precisa de irmãos, tem gente que nem irmão tem e tá ai feliz da vida ou pior: tem gente cujo irmão é inimigo, então eu estava bem tranquila com minha (possivel) decisão de ter somente um filho. Ainda assim, eu guardei as roupas de bebezico do Thomas. Alguns brinquedos. Sapatinhos. Fraldinhas e cobertores.Porque, né? Vai que um dai acontece um acidente e vem um segundinho? Tanta gente por ai se descobrindo grávida por acaso, vai que eu tambem sou um caso desses?

Ai eu pensava na amamentação, na icterica neonatal que o Thomas teve, na internação, desidratação, no mamilo polemico que provavelmente seria igual numa segunda gestação. Tudo isso me fez desistir do fato de ter um segundinho.

As noites picadas, os cocos explosivos, os chorinhos, nada disso entretanto, me assusta. Acho fofo, faz parte, não me incomoda. Mas ai eu lembro que morando fora e tendo mais um, seriam 4 passagens aéreas e nao temos grana assim. Desisti do segundinho.

Penso aqui nos eua, porque se segundinho existisse, seria americaninho. Aqui, não tenho emprego fixo, ainda estou numa vaga temporária e a licenca maternidade é ridicula de pouca. Não teria coragem de deixar um bebezinho de 4 meses na creche. Mas ai penso que as americanas fazem isso e estão todos bem, pais crescendo e tal.

Sobre ser mae e ter uma vida a parte, isso nunca foi problema pra mim: sempre fiz o que quis, dentro da possibilidade e rotina do Thomas. Mas passeamos, saimos, comemos, faco a unha, vou pra academia, vejo tv, como comida quente, continuo sendo uma pessoa, alem de ser mae e tenho certeza que o segundinho, entraria no esquema, ate porque o baby nao teria escolha.

Ai, um dia, parece que na minha timeline do facebook comecam a pipocar positivos. Amigas e amigos queridos entrando no segundinho, terceirinho e ate o quatrozinho (?) e eu comeco a me coçar. Comeco a me cocar vendo aqueles pezinhos, sorrisinhos banguelas, babinhas, mãozinhas. Olho pro Thomas e vejo um menino. Grande, forte, falante, (Lindo de morrer), esperto e amargo aquele gostinho de não ter mais um bebezinho em casa.  E comeco a pensar que de repente não seria tão caotico assim. Que onde cabem 3, cabem 4. Olho pra nossa mesa de jantar e vejo uma cadeira vazia e penso que ali, poderia ser ocupada por mais um integrante do nosso clã.  Fico super tentada, especialmente com algumas mudancas que passaremos em breve e que não cabe contar ainda, mas vejo que de repente um segundinho encaixaria ali. Thomas ja esta desfraldado, fala, come quase sozinho, é verdade, é meu grudinho, mas ainda assim saberia que teria um bebe em casa. Aliás, eu, sacanamente perguntei a ele:

-Thomas, voce quer um irmãozinho?

-Sim!

-Oba! vc viu, Ricky?

-Mamae, quero o Ryder. (Ryder, da Patrulha canina…)

Marido rindo eternamente.

Sinceramente, não me vejo sentando e planejando uma segunda gravidez. Eu amaria se a crianca viesse “por acaso”, mas o por acaso aqui, so se cairmos nos 2% de ineficacia de camisinha.

Marido diz que não quer, mas no fundo acho que e como foi com o Thomas: aquele medo do desconhecido, no caso, medo do conhecido, porque ja temos um pra saber como vai ser.

Me dei mais 2 anos de lambuja, planejando minha vida. Estou com 34 e acho que ate os 37 eu me permito decidir pelo segundinho, ainda que eu tenha certeza que a decisão ja esta tomada, falta apenas a coragem de assumir e me jogar nas ovulaçoes todas.

Por enquanto, sigo nestes próximos 2 anos, babando nos nenes alheios, porque por aqui, seguimos boicitando conscientemente o segundinho, ainda que meu coração diga que “se vier, veio”.

E voces ai da minha timeline: parem de postar bebes fofos, utero nenhum aguenta, 😀

Não, não parem, brincadeira. Continuem pra eu continuar morrendo aqui.

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