eua · trabalhar nos eua

Sobre trabalhar nos eua, estrangeiramente

(Desculpem a falta de acentos – teclado gringo)

Hoje eu estou afim de dividir com voces como tem sido minha experiencia trabalhando nos EUA, fora de casa.

Sempre trabalhei em empresas privadas, multinacionais na area administrativa e no Brasil ja conhecia os macetes de lidar com diversas hierarquias executivas e seus jargoes/preferencias. Chegando aqui nos EUA, trabalhei por 18 meses num projeto em home office, totalmente fora da minha area, mas que me permitiu aprender um pouco mais sobre um outro lado da vida profissional, alem de ganhar uns dolares e ter podido ficar com o Thomas.

Este ano, quando voltamos do Brasil em abril, eu estava sem projeto e precisava trabalhar fora porque os dolares nao caem do céu e como nao sou descendente de nenhum Rockfeller, precisava complementar a renda, alem do fato de que eu adoro conversar com pessoas e gosto de trabalhar.

Bom, comecou minha busca. Fiz varias entrevistas, em diversas empresas, de diversas areas e ja notei ai a diferenca das entrevistas no Brasil:

-Aqui é proibido fazer perguntas pessoais durante a entrevista. Em momento algum me perguntaram: se eu era casada, solteira, religiao, se eu tinha filhos ou nao ou minha nacionalidade. Eles entendem que eu posso achar que algum desses topicos pode ter sido o fator determinante pra me desqualificarem e eu posso processar o entrevistador por preconceito. Simplesmente nao perguntam. Claro que eu dizia que vim para os EUA porque meu marido teve uma oportunidade e tal, entao eles acabavam “descobrindo”. Entretanto, perguntas diretas: JAMAIS.

-Escutei coisas bobas como: “se eu fosse um sapato, qual seria?”. Me perguntaram as coisas classicas de onde eu me via daqui 5 anos, quais meus objetivos de carreira, aquelas perguntas bobas e que fazem a gente pensar “WTF?” em qualquer pais que estamos.

Para a vaga que eu consegui, temporaria, as perguntas foram basicamente as mesmas, incluindo se eu estava acostumada a lidar com pessoas dificeis. Para mim, foi um sinal de alerta que a tal chefa nao seria tao manga com acucar, mas eu aceitei assim mesmo.

Bom, no primeiro dia eu tive a maior sorte da pessoa de quem eu obtive a vaga estar aqui e ela me ajudou, passou as coisas necessarias pro andamento da vaga e me deu algumas dicas. Achei otimo, ela me apresentou as pessoas, eu me senti incluida, o que é otimo para um primeiro dia de emprego novo, onde a gente nao sabe nem onde e o banheiro….

Agora, praticamente 3 meses depois do meu primeiro dia, eu posso listar algumas coisas diferentes entre trabalhar nos EUA X trabalhar no Brasil:

  • Minha chefa era a vice-reitora da faculdade de medicina, nao tinha a menor frescura em atender o proprio telefone e ver suas proprias reunioes.
  • Se eu preciso sair cedo ou entrar mais tarde, basta eu colocar um aviso no calendario dela, sem precisar me justificar em 09472385723842 vezes, como no Brasil.
  • Eu mesma marco meu ponto, no sistema. Insiro a hora que chego, saio pro almoco, volto e vou embora.
  • Dificilmente eu faco hora extra. Porque ganho por hora e cada minuto a mais tem que ser justificado.
  • As pessoas nao saem pra almocar. Tenho meia hora de intervalo e como na minha mesa mesmo. Eu comia na salinha de break, mas era a unica e me achava estranha de ficar la (além de que acho que nao tem aquecimento e eu passava frio…)
  • So eu e uma outra moca escovam os dentes apos o almoco. Ja me olharam estranho por escovar os dentes – aparentemente é o equivalente a fazer coco de porta aberta por aqui.
  • Meu chefe atual, é o diretor de financas da faculdade (Long story short, minha chefa anterior foi demitida) e pelo seu cargo alto, a gente espera que seja aquela frescura do nivel “brasileiros”. Segunda feira ele me chamou e disse que quando tem uma reuniao num predio aqui perto (longe o suficiente pra nao ir a pé), ele pegaria o onibus da faculdade, gratuito, pro deslocamento. Se fosse no Brasil, CER-TE-ZA que pegaria um taxi.
  • As pessoas comem “comida” no almoco aqui. Comida entenda-se por congelados chamados “Lean Cuisine”, que vendem uma ideia de comida “saudavel” congelada e sopas tipo Vono de saquinho. Alem da minoria que traz sanduiches e batata chips.
  • Os mais velhos, na faixa dos 50, tomam MUITO refrigerante e quase nada de agua.

Para mim, o grande desafio é o ingles. Meu nivel, modestia  a parte, é super bom e eu considerava fluente. E, eu considerava, mas na real eh um avancado, mais avancado, porque fluente mesmo, so nativo. Normalmente de manha pra mim, é o pior horario e eu dou umas travadas fortes. Acho péssimo quando preciso falar com alguém “importante” e a pessoa franze a testa, eu me acho falando tipo o Tarzan.

Tem dias que eu acordo bem, ingles deslancha e eu fico numa boa, normalmente eu tenho vontade de morrer, mas passa logo. rs

Sobre ficar longe do Thomas nesse periodo: no comeco eu estava amando a liberdade de nao precisar responder as chamadas de Mamae a cada 2 min.Essa semana, me bateu uma saudade dele, dessas de querer ficar agarrada nele o dia todo, mas deve ser a TPM….

Estou atualmente na vaga ate abril, temporar ainda e adoraria que fosse efetivada, porque o ambiente é muito legal e as pessoas tambem!

E voces, tem alguma duvida sobre trabalhar na gringa?

 

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