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Tempo com os filhos

Antes de começar, nem vou me desculpar pela demora em escrever. Tenho uns 45809 posts começados e outros na cabeça.Além disso,tô querendo escrever um livrinho sobre minha vida de mãe, mas como acho que ninguém vai comprar,eu não consigo começar ainda. Além disso, acho que tinha mais tempo livre quando trabalhava fora. rsrsrs Desabafo feito, me abracem e vamos pra parte de baixo:

Hoje eu li na página do feicibuqui do Quartinho da Dany (que aliás, eu adoro) e ela tinha postado um texto sobre a relação das mães brasileiras e babás e resolvi escrever um pouco sobre isso: Nosso tempo com nossos filhos e a terceirização deles.

Pois bem. Quando eu, Carolina, decidi que queria um filho, eu sabia que minha vida ia mudar. Não falo sobre acordadas de noite, sobre uma pochetinha extra na minha barriga e muito menos sobre a falta de tempo e da correria do dia a dia. Eu sabia que minha prioridade a partir do momento em que fosse concebido,aquele bebê seria minha prioridade. Prioridade em tudo, mas eu não me anularia e muito menos seria aquele tipo de pessoa frustrada que desconta nos filhos as suas frustrações: Aquela criança veio porque EU e MARIDO permitimos que viesse, portanto, caberia a nós o “cuidar dele”.

Ok, engravidei, adorei minha barriga, curti MUITO minha gravidez, pari e pumba: tinha no meu colo um ser de 50cm que dependia de nós pra tudo – e dependerá por muito tempo ainda. Lembro que na maternidade, a primeira coisa que falei pro Thomas foi:”bem vindo, meu filho. Conta comigo”. Ele chorou, marido e eu também. Aí foi aquela correria que conhecemos: leva pra casa, acorda, mama, dorme, faz cocô explosivo, resmunga, a gente acha tudo lindo e quando eu menos percebi,o Thomas sentava, engatinhava e interagia. Com isso,eu comecei a perceber que sentia uma ansiedade grande para ele dormir e eu poder mexer no smartphone, entrar no facebook, ver tv. Aí comecei a notar que aquele momento não ia voltar e eu ia perder por estar lendo alguma frase de efeito no facebook. Me liguei e tento reduzir ao máximo o tempo que fico nocelular perto dele – o que não é fácil,ainda mais por estar fora e receber mensagens de amigos, familia pelos whatsapp da vida.

Corta pro texto que a Dany compartilhou: fala sobre essa necessidade das mães de classe média brasileiras em precisar da babá para tudo. Eu lembro de ter ouvido mães desesperadas em não saber o que fazer com os filhos quando a babá pediu uma folga de fim de semana, pois “era dia de curtir o marido”. A meu ver,isso é muito comum,pois as crianças já ficam o dia todo aos cuidados de outras pessoas, que os pais perdem as conexões comos filhos. Não digo que não faria o mesmo se trabalhasse fora, o Thomas ficaria na escolinha das 8-5 todos os dias simplesmente porque não teriamos opções.Hoje, trabalho em casa, no esquema “frita um peixe e olha o gato”, sabe? Um olho cá e outro acolá.

Aí fiquei me lembrando que uma vez, com o Thomas pequeno, fomos ao shopping Morumbi, em São Paulo e uma coisa me chamou a atenção: eu perdi a conta de quantas familias vi com as babás. Elas, de branco pilotando aqueles carrinhos super sônicos atrás dos pais, que andavam belos e formosos a frente, como se os filhos fossem invisiveis. Eu, com o Thomatinho no sling, dei risada e pensei o quanto aquelas familias perdiam em não estar ali, no lugar daquelas babás e me dei conta que para muitas brasileiras,o negócio é ter o filho e parecer que passou incólume pela gravidez: faz book com flor na cabeça,cenário angelical,compra todo o estoque de RN da Carter’s, carrinhos que praticamente dirigem sozinhos, agenda-se a cesarea e já sai da maternidade de roupa justa, cinta,cabelo “chapinhado”, maquiagem e nenhum vestigio da gravidez, a não ser pelo bebê a tiracolo. Ai, vai la, a criança cresce e taca a babá pra fazer o “trabalho sujo”. Contrata-se buffet pras festinhas, a criança fica lá, posando pra fotos com os pais e no fim, a babá coloca pra dormir.Isso pra mim é terceirizar. Contar com uma ajuda da babá durante a semana, seja lá por qual motivo é super válido, eu sou super fã (inclusive uma mãe de uma amigona minha é babá e se eu pudesse e precisasse, contratava de olhos fechados). Lembro que quando trabalhei, antes de voltarmos pros EUA, eu chegava em casa LOUCA pra ficar com o Thomas e no fds, nenhum programa era melhor do que cheirar aquela cabeça suada.

Também tem o fato de que ter uma babá é sinônimo de status. Cara, como pode cuidar do seu filho não ser status? Porque as pessoas acham ruim você ser “só mãe?” Aqui nos EUA, a cultura é bem diferente. AS mães deixam os filhos em daycare, claro, mas são mais participativas das vidas dos filhos e essa neurose em aparências não existe – Tanto não existe que acabei de comprar um biquini pra desfilar meu pânceps na praia! 😀 Não há julgamento e muito menos babá a rodo,como em SP.

O que eu tenho medo é que se formos pro Brasil, o Thomas vai ser aquele da escola que a mãe vai fazer bolo em casa, festa com brigadeiro e lembrancinha pra brincar, vai ter bolha de sabão na sala, vai ter parede riscada, vai ter rolar na areia com ele,vai ter comida feita em casa, vai ter decoração feita pela gente e muito amor e carinho. Já fazemos tudo isso e ele vai ser aquele “estranho no ninho”. Será que ele vai ter amiguinhos? Será que os amiguinhos dele vão gostar dessa criação “diferenciada” ? rs

É tão gostoso se doar pra uma pessoinha.E olha, eu continuo fazendo minhas unhas em casa toda semana, lavo meus cabelos – AND seco – todos os dias, brinco muito com o pequeno,namoro com o marido (aliás, vida sem pílula é…VIDA) e nos curtimos todos os finais de semana os 3 juntos. Não temos familia e não curto babysitter – tenho medo,vi muito filme, #mejulgue. E olha,posso falar? Não sinto falta da vida sem Thomas. Ele foi tão esperado que para nós é um prazer fazer “programas de criança”.

Filho é muito bom.

Mesmo quando eles gritam, chutam, cospem a comida, te dão cabeçadas, derrubam água no chão, puxam o rabo da gata, fogem do banho, datroca de fralda, de escovar os dentes.

E olha que nem chegamos nos terribles twos. 😀
   
  

“Vamos jogar a pedra, Thomas?”

     

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11 comentários em “Tempo com os filhos

  1. Aeeee!! Adorei quando vi que tinha post novo!! o/

    Juro que tô com um rascunho lá no meu sobre presença pros filhos, Carol! hahaha

    Adorei suas palavras, concordo muito!
    E é mesmo uma delícia curtir e estar sempre perto deles, não troco por nada!

    ah! escreva sim seu livro, que beleza!! também quero escrever, mas não sei começar, ahushaushausausha

    Beijo grande!!

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  2. Só quero fazer uma pergunta: que horas vc faz a unha??? Hahahaha
    É a única coisa que eu sinto falta! Depois da Lucy só consegui fazer 3 vezes! (Tbm faço em casa) Será que é pq ela é muito pequena ainda?
    Tenho esperanças!
    Escreve mais! Fico com saudades!

    Ah, e eu compro o livro!

    Beijos!

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    1. Hahaha eu faço assim:thomaa acordado e eu tiro as cuticulas, ele dorme e eu pinto! Kkkk qdo ele era menor, eu esperava ele dormir, pq ele dormir umas 2,3 ha entao dava tempo! Kkk
      Ah, Ju, o seu livro vai de graça! Hehehe bjs

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  3. Meu maior problema com presença é, sem dúvidas, o celular, tento me policiar, mas acabo perdendo várias vezes rs. Essa mania de ler tudo a torto e a direito pelo aparelho é tensa e Clara cobra também, claro, tipo, uns chutes no celular quando vai mamar. hahaha.
    No entanto, sobre terceirizar, jamais consegui entender qual é essa de fazer de gravidez, parto e filho roteiro de cinema, sabe? Do tipo, pari e já sai linda e maquiada para todas as visitas e fotos da vida. Tem maternidade que até exibe o parto né? Acho horrível. Quando fui ganhar a Clara tudo o que eu queria era privacidade, muita privacidade, nada de visitas ad infinitum no hospital e em casa, só uma semana depois, por favor. Perdi amizades nessa, mas será que era amigos mesmo?
    Não consigo pensar os cuidados da Clara para além de mim mesma e do pai, mesmo ela agora já indo para a escolinha (ela está com 1 ano e 6 meses), eu só deixo o básico do básico para os cuidados lá, até comida eu mando. E ela só fica no tempo em que estou fora a trabalho mesmo, quando saio da escola, ela já volta para casa e só.
    Dá um trabalho danado, tem dias que são estressantes, só que o que importa é saber que sempre estou presente, mesmo nos dias tensos. E tem coisa melhor do que ouvi-los rir ou se entreter com brincadeiras que nós criamos? Quem tá terceirizando não sabe o que está perdendo.

    Abços,

    Daniela

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  4. Oi, Carol! Também não compreendo essa terceirização de filhos. Pra que botar a criança no mundo, então? Valentina fica no berçário desde os 4 meses, por falta de opção: tenho que trabalhar em período integral e não tenho família na cidade para ter uma ajuda (mas se meus pais morassem aqui, confesso que ela ainda ficaria na escolinha em tempo integral, para ter contato com outras crianças, aprender a socializar, e não ficar sendo bajulada o dia todo por avós babões). No começo de 2015, achei que conseguiria trabalhar só meio período, mas não rolou e tive que retomar o tempo integral. Antes, saía de casa 5 hs da manhã e só ia ver minha pequena às 19 hs, era um suplício, pelo menos agora eu consigo deixa-lá na escolinha quase todos os dias e, quando não tem reunião que me prenda até mais tarde no trabalho, faço uma caminhada de 30 minutos para chegar na creche em que ela fica, pego minha boneca sorridente e vamos para o ponto de ônibus pegar 2 coletivos para chegar em casa. Mas ela é companheira e feliz, não importa de fazer essa via-sacra, fica bem porque está comigo. E quando eu compro pão de queijo quentinho para ela no terminal de ônibus, então… Aí é só alegria!
    Fico triste quando tenho que fazer horas “bestas” e sair mais tarde, ou quando tenho que dar curso à noite, porque nesses dias ela fica na casa de uma senhorinha que trabalha na cozinha da creche dela, e meu marido só consegue buscá-la às 19 hs. E eu, claro, vou vê-la só depois das 22 hs.
    Não tenho neuras nem sentimento de culpa por isso, porque o tempo que estou em casa é dela. Seja para brincar de desenhar, brincar de bonecas, brincar no parquinho ou dar uma volta de motoquinha. É difícil até cozinhar, porque basta eu chegar na beirada da pia para ela vir agarrar minhas pernas e chamar “mamãe, mamãe”. E tudo o que ela faz ou vê eu tenho que ver também, é um tal de “olhe, olhe” que eu tenho que obedecer, hehehe. Já aprendeu a brincar de roda, vê os maiorzinhos na creche tendo aula de capoeira e volta e meia arrisca uns movimentos no chão, para delírio orgulhoso dos pais.
    Quanto aos pais terceirizadores, tenho pena deles. Estão perdendo a melhor parte da vida…
    Beijos pra você e pro Thomas!

    P. S.: escreva o livro, por favor!!!!!!!!! Vou comprar e quero com dedicatória!

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  5. Acho importante que se crie uma delimitação do que é “necessário” pro que é “status”. Até o primeiro ano de vida nossa Elis precisou de babá, que ficava com ela em casa enquanto eu e o pai íamos trabalhar. Aos finais de semana a babá nunca trabalhou, assim como para as idas aos médicos, por exemplo, ela nunca foi solicitada. Quando ela mostrou necessidade de ter mais estímulos, tiramos a babá e colocamos ela na escolinha, com 1 ano e 4 meses, apenas um turno. Agora, durante as manhãs temos que ver a disponibilidade das vovós pra poder tomarem conta enquanto trabalhamos e, à tarde, ela vai pra escola.
    A gente (os pais) não limpa todos os cocôs, não dá todos os remédios (quando necessários) ao longo do dia, não participa de todas as brincadeiras que se tornam aprendizados. Mas continuamos educando, dizendo o que pode, o que não pode, colocamos pra dormir e curtimos demais os momentos em que estamos juntos.
    Acho que distinguir que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” é importante pq às vezes trabalhar fora não é opção, mas necessidade…
    Para os que se utilizam de babás para terceirizar educação e cuidados, estou totalmente de acordo!
    Grande beijo

    P.S. quero o livro e quero as dicas pra fazer as unhas em casa, pq por aqui, só quando a bebê dorme (senão ela quer pintar também!).

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    1. Exaaato! Eh isso mesmo! Eu sou super a favor de ajuda, mas ha de ter limites! Como eu falei, se trabalhasse fora, com certeza o Thomas estaria na escola, mas nos meus tempos livres, eu seria só dele!
      Menina… Eu faço assim: cuticulas com ele acordado e esmalte com ele dormindo! Hahahaha bjs

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  6. Oi Carol. leio seu blog tem um tempão.. rs, mas nunca comento. Tenho uma filha de 3 anos que fica na escola em periodo integral, desde os 11 meses tbm por falta de opção. Já me senti muito culpada, mas agora relaxei e tento aproveitar com qualidade todo o tempo com ela. Acho um absurdo babá nos fins de semana e faço questão de fazer todo o trabalho “sujo” desde sempre! As festinhas dela sempre foram organizadas por mim. A decoração, lembrancinhas, escolha de tema… sempre que vou á algum lugar penso no laser dela e me culpo se não faço um programa no fds direcionado pra ela. As outras mães da escola que ela estuda também pensam como eu e vejo muita gente que convive comigo, preocupada em ser mãe de verdade. Então, pra te tranquilizar, eu acho que o Tomas não vai ser tão “estranho no ninho” como vc acha… rs. Beijos.

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