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O passado nos condena

Aí que um dia desses fui à casa da minha mãe e resgatei no meu antigo quarto, alguns dos meus antigos diários da adolescência.

Cheguei em casa e comecei a reler algumas das memórias que eu tinha registrado e achava que o tempo havia passado, mas que eu não tinha mudado quase nada. Rá, ledo engano. 

Lendo algumas coisas de 1997, quando eu tinha 15 anos percebi que eu era uma adolescente tão engraçada que me vi naqueles seriados em que um filme passa na sua cabeça. Li sobre os meninos por quem eu era apaixonada, sobre as “ficadas” com eles, sobre a primeira passada de mão na minha bunda (ó! tinha que esconder pra não ficar “falada” rsrsrs), sobre meus problemas existenciais, de não saber qual faculdade fazer, sobre as aflições do cursinho, de vestibular, de família, de incompreensões e mais ainda, de apreensão pelo futuro, de aparência, de medos.

Tudo aquilo que a Carol de 15, 16, 17 anos pensava, temia, lutava contra está registrado naquelas páginas já meio amareladas. Algumas eu não tive coragem de mostrar pro marido, que sentado do meu lado estava mega curioso pra saber do que se tratava. Encontrei ainda, um diário dos meus 18 anos, quando o conheci e vi que naquela época, nem passava pela minha cabeça que casaríamos e construiríamos uma vida juntos e mais ainda: se alguém me dissesse naquela época como minha vida estaria hoje, eu não acreditaria.

Posso confessar que tenho tido muita sorte! Sorte de terem cruzado meus caminhos pessoas especiais, pessoas que me ajudaram, que me ferraram, mas que me ensinaram a crescer e amadurecer. Vi que algumas relações ainda são parecidas, algumas pessoas não mudam, o que é uma pena. 

Porque escrevi isso? Porque vim pensando que não há mal que dure pra sempre e que no fim, as coisas sempre se ajeitam, uma espécie de mantra pra mim mesma.

Outra coisa é que acho importante registrar esses momentos, para que nada passe despercebido e eu, sempre amei escrever! Ainda há alguns desses diários que estão na casa da minha mãe, não sei onde ela enfiou, porque alguns livros foram pra um quartinho que é tipo buraco negro, manja? Mas quero buscá-los, quero guardá-los, especialmente porque são parte de mim, são meus pensamentos mais íntimos que eu nunca dividi com ninguém – não tinha blog naquela época.

Tenho observado muito os dias nessas últimas semanas. Especialmente por estar completamente desconectada do meu trabalho, vejo as coisas com outros olhos: perde-se muito tempo com coisas inúteis. As pessoas vivem uma vida que na sua grande maioria é “feita” para passar uma imagem às outras e nem sempre vive-se uma vida feliz; faz-se o que se gosta; vive-se livre.

Ultimamente, só uma coisa tem sido a motivação:

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16 comentários em “O passado nos condena

  1. Poxa, Carol, se a gente fizer uma vaquinha aqui na web, você publica os textos da adolescência? Sério, você aos 15 anos devia ser impagável. No mais, aguenta firme, porque em época de mudança de vida a gente fica num limbo por um tempo. Beijocas, Alê.

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  2. Concordo com sua percepção Carol…cada vez mais as pessoas vivendo uma vida baseada somente na imagem que vão passar às outras, de preferencia pelo Facebook né ? Conheço gente que vive super mal no casamento, mas posta fotos lindas com declaração de amor, só pros outros verem. No trabalho cada vez mais eu fico refletindo sobre as pessoas. Gente que liga pro meu setor logo cedo no início do expediente e fala com o estagiário como se este fosse ninguém. E pior, sempre em tom de desespero do tipo ‘não consigo acessar o sistema tal, assim não dá, blá blá’ como se alguém estivesse morrendo. Ou ainda, gente que desfila com roupas e sapatos que nem pode pagar se não for parcelado em 10 vezes. Eu vivo muito feliz com minhas escolhas, de simplicidade, valorizando de verdade o que importa: minha família. Ah, Thomas tá lindo demais viu ?

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  3. Carol, eu juro que prestei atenção em tudo e concordo com as coisas que vc disse, mas a única coisa que ficou prendendo minha atenção foi a foto.
    Que família linda você tem! Parabéns!
    PS: você cortou o cabelo?

    Beijos!

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      1. Oh, dó!
        Vou te levar no salão que eu vou lá na Lapa! 20 conto e ainda ganha uma escova! hahahaha
        É sério, a cabeleireira é bem boa!

        Beijo!

        PS: Que fofo sua mãe escrevendo, até chorei aqui. (#hormoniossucks)

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  4. Nem vi nada que condenasse seu passado! Noooossaaa! Imagino seus textos aos 15! Devem ser muito bons mesmo. Eu também escrevia diários na adolescência. Seu post me despertou a curiosidade para relê-los. O difícil é saber onde está…
    Linda foto!
    Bjs

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  5. Minha querida filha, mãe do menino mais lindo do mundo:

    Os anos passam muito rápido, sei que a sua adolescência foi pra você como um turbilhão de ideias pavorosas, de monstros inalcançáveis, de príncipes que nunca vinham.
    Alguma coisa mudou: suas ideias clarearam, os monstros viraram seus melhores amigos, mas o príncipe veio sim, é um anjo em formato de Thomas. Mas no geral sua adolescência foi até tranquila se comparada a dos outros “aborrescentes”.

    Seus diários não foram enfurnados por mim em lugar nenhum. Aliás, o buraco negro está tão claro que mais parece um quarto de fundo de quintal, olha só? Além disso,eu jamais mexi nos seus diários, deusmelivre. Ele deve estar junto dos seus livros de alemão, de russo, de estoniano, de espartano. Ou perto de alguma revista Capricho embolorada. 🙂

    É…você cresceu e virou uma mulher independente e talvez a minha parcela de ‘culpa’ nisso seja alta, afinal, sou sua mãe, mas vejo que te ensinei a ser assim, irreverente, impetuosa, impaciente, insubordinada e totalmente afiada na hora de discutir uma ideia. Ruim pra quem se atreve a bater de frente com você.

    Viver livre sempre foi um mantra na minha/nossa vida; se levou para a sua, fico muito feliz em saber que aprendeu o que eu mais queria.
    Cuide dessa liberdade, cuide do seu amor, cuide do seu filho e dos próximos. Mas cuide, acima de tudo, de quem vai fazer parte da sua ilha, porque nela só entra quem sabe nadar. E muito!

    Beijos daquela que já foi mais engraçada por ser sua mãe, mas que hoje tá mais pra palhaça de farol.

    Vai um mentex aí?

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  6. O modo como vc terminou o texto.mais uma vez me fez achar vc uma pessoa incrivel e sabia.rs P q isso, ne?!
    Beijos! E to curiosa qto a sua volta ou nao volta… rs

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    1. Ah, q fofa! Obrigada pelo carinho! As coisas estavam meio tensas aqui no trabalho e me peguei observando as pessoas ao meu redor por aqui: tudo tão bizarro, tão artificial, que me deu vontade de escrever e ver que qdo eu era adolescente, a visão que eu tinha de trabalhar numa empresa era completamente diferente. MAs aí a gente percebe que é uma massa única num ciclo q não acaba: chegam novos estagiários e a situação é a mesma, a mesma esperança, brilho nos olhos e eu aqui, querendo colocar meu filho no colo! rs
      Bjux

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  7. Seus textos como sempre são perfeitos…também adorei o último parágrafo (na verdade penúltimo – o último é o da foto…kkk), é assim mesmo.
    Vi de onde vem também toda essa irreverência ao escrever, se sua mãe tivesse um blog, com certeza eu me inscreveria…..kkkkkk!!!!

    O meu diário está guardado a sete chaves…hehehe….cada coisa lá dentro!!!!

    Bjos e bom final de semana.

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