dia das mães

Sobre o “amor de mãe”

Quando eu fiquei grávida, lia inúmeros relatos de mulheres se dizendo apaixonadas por seus filhos na barriga, por estarem “in love” com aquele serzinho que se mexia e talz e eu me sentia uma primata pensando “mas porque diabos eu ainda não amo o parasita?”. Pois é, eu amei ficar grávida, amei sentir ele mexer, amei cada exame, cada consulta de pré natal, amei cada pergunta sobre ele, mas ele mesmo ainda não amava, daquele amor mesmo, sabe? Pra mim era meio abstrato amar algo que eu não conhecia ainda e sim, claro que gostava dele. Mas não era amooooooor assim, como canta o Zezé.Mexia com minha cabeça e me deixava “assim”, mas não era amor, eu sei a diferença.

Amo meu marido, amo minha gata, amo meus pais, avós, família. Mas o bebê ainda estava naquela fase de conhecimento. E pensei que isso fosse acontecer quando ele nascesse. Pois bem, ele nasceu, eu me A-PAI-XO-NEI instantaneamente assim que ele e seu corpo melecado estavam colados em mim, mas o amor do Zezé, ainda não tinha chegado. Fomos para casa, eu sentia saudade do pequeno parasiThomas lá no hospital ainda, mas não era ainda o amorzão. Era uma paixão, daquelas de começo de namoro, sabe? Passaram umas duas semanas, estava sentada no sofá com ele no colo e falei pro marido: “você já ama ele?”, marido respondeu: “ah, amar ainda não. Eu gosto pra ca*lho mas ainda não amo.” Fiquei com aquilo na cabeça e falei pra minha mãe, que disse que também não me amou assim que eu nasci (Oi Freud!) e que se sentia melhor de saber que eu também sentia isso.

Mas aí, um dia eu acordei, não me lembro quanto tempo o Thomas tinha, mas eu olhei para ele e senti como se um caminhão desenfreado tivesse me atingido: Eu AMAVA ele. Foi como se todas as minhas células tivessem tido um reboot e de repente nada mais no mundo era mais lindo e sorridente quanto aquele menino que estava no meu colo. Foi um sentimento tão intenso que uma lágrima caiu, mas caiu de tanto amor, que parecia que transbordava em forma de líquido salgado nas minhas bochechas. Foi ali que tudo fez sentido: a gravidez, o parto, cada alisada que eu dei na barriga, cada noite que eu passava creme nela, cada vez que eu ouvia Queen e o Thomas me chutava. Tudo fez sentido porque ele estava ali e eu jurei pra mim mesma e para ele que por todos os dias da minha vida eu me tornaria uma pessoa melhor para ele e que sempre que pudesse o defenderia dos males do mundo.  Aí me passou um filme na cabeça: dele crescendo, ficando maior, conversando conosco, entrando na faculdade, arrumando uma namorada, se casando, tendo seus próprios filhos e eu tive medo. Medo de envelhecer, medo de ele não encontrar uma mulher que o ame como ele deve ser amado, medo de o mundo ser cruel com meu pequeno filho. E me dei conta de que esse amor de mãe de que tanto falam é isso. E pensei na minha mãe. Na mãe dela. Na mãe do meu pai e em todas as mães que me antecederam e cheguei à conclusão de que amor de mãe é igual para todas e vi o quanto é difícil criar um filho e quanto elas devem ter sofrido com esse amor sufocante versus o “soltar o filho pro mundo”. Tive vontade de enfiar o Thomas numa bolha de amor, pra que nada de mal acontecesse a ele, nunca. Mas não posso e sofri com isso.

E aí me peguei pensando em como entendo minha mãe. Minha avó e mais especialmente, minha sogra. Sabe porque? Porque eu sempre vou ser a “mãe do marido”. A Avó paterna. E me vi no lugar dela e assim, eu entendi como rola essa relação de mãe e filho, tão diferente da que tenho com a minha mãe e desejei mais que nunca que o Thomas tenha uma esposa que o ame como ele deve ser amado e fico feliz por minha sogra ter uma nora que ama o filho dela muito, tanto quanto ela! E desejei isso pro Thomas, com o coração apertado.

E hoje, neste dia das mães, quero desejar Feliz Dia das Mães a todas: que já são mães, que querem ser, que estão batalhando para ser, para as que foram e os bebês voltaram a ser anjinhos, para as mães de 1,2,3 ou 10 filhos e especialmente, para todas as mães da minha família, especialmente para a minha! Eu agora, entendo vocês. E para o Thomas, deixo um pedaço desta música brega, mas que eu gosto e representa o que eu sinto (meu lado B). Thomas, você é meu pedacinho de céu!

Eu não vou negar
Sem você tudo é saudade
Você traz felicidade
Eu não vou negar

Eu não vou negar
Você é meu doce mel
Meu pedacinho de céu
Eu não vou negar

us

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18 comentários em “Sobre o “amor de mãe”

  1. Feliz Dia das maes para vc tambem! Qdo li teu texto me identifiquei….ebaaaaa… Mas qdo este amor imenso emerge, fica em modo on eterno e cada dia mais intenso.
    Obrigada por compartilhar Isso conosco.

    Bjos.

    Fran.

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  2. É bom saber que outras mães sentem o mesmo!!! Mas depois que o amor chega ele só faz aumentar!!! Já perdi as contas das vezes que olhei p minha princesa e chorei de tanto amor!
    Parabéns a vc e a todas as mamães que acompanham esse blog

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  3. Carol, tô aqui com meu bebê na barriga e esses dias estive pensando sobre isso, pq ouvi de uma amiga que está com o mesmo tempo de gestação que eu dizer: é engraçado a gente amar uma pessoa mais que a gente mesmo. E fiquei encucada. Pq ainda não amo meu bebê mais que a mim mesma. Apesar de ter desejado, ter esperado e de ter lutado por ele com todas as minhas forças. Quando penso nele, um sentimento bom me invade. Mas esse amor avassalador ainda não. Tenho certeza de que esse amor ainda virá e aguardo ansiosamente por sentí-lo. Bom saber que existem pessoas como nós!
    Feliz dia das mães!
    Parabéns pelo Thomas! Ele é lindo de viver!

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    1. Pois é!!! e nunca ouvia ninguém falando isso, tirando uma ou outra pessoa! Me sentia a pior mãe do mundo! rsrsrs Mas é verdade e a sensação é essa: um caminhão sem freio de amor! te acerta no meio da fuça! rsrsrsrs
      Mil beijos!

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  4. Carol, adorei seu post. Resumiu tudo o que penso sobre amor materno. Assim como todo tipo de amor, é construção, convivência, tempo. Por isso que é bonito quando acontece, porque nem obrigação é. De mãe para filho ou de filho para mãe é conquista. Agora, tenho também pavores em relação à minha filha. Mãe de menina também dá medo. Do abuso, da violência, da desigualdade. Você, mãe de menino, tem que fazer um carinha legal e respeitador. Para as mães de meninas não precisarem mais ter tanto medo. Ops, botei muita pressão? 🙂 Beijocas, Alê.

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  5. Ahhhhhhhhh!!!! Carol do céu! To chorando litros aqui! Faz assim não que eu desmorono… Olha, ontem aqui ouvi “happy mother’s day” de um monte de gente, mas eu ainda não me sinto mãe e tão pouco sinto esse tal Amor pela Sementinha. To tão feliz que tenho ela dentro da minha pança, mexendo e chutando, mas o amor não veio automático, to doidinha pra senti-lo assim como você acabou de descrever.
    Beijos!
    Rita

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    1. AAAWWWNNNNNN Fofa! ❤
      Pois é, eu sentia o mesmo: no dia das mães do ano passado, eu devia estar com umas sei lá, 18 semanas e todo mundo me dando feliz dia das mães, mas eu não me sentia asism, ria internamente. Ontem, quase abracei cada um dos que me disseram Happy mother´s day! hehehe
      Vc vai ver, uma hora o caminhão de amor te atropela, é quando vc menos espera! ❤
      Bjos

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  6. Lindo, Carol! Lindo texto! Lindo sentimento! Lindo amor! É assim que eu me sinto! Também tenho vontade de colocar a minha filha numa bolha de amor, pra que nada de mal acontecesse com ela, NUNCA. Mas, infelizmente, não podemos e sofremos com isso… E sem dúvida, “amor de mãe” é assim! Parabéns e feliz Dia das Mães! 🙂

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