humor · salto de desenvolvimento · Thomas

O terror em forma de guri

Quando o Thomas nasceu, a pediatra dele disse uma frase que ecoa nos meus ouvidos “ad-eternum”: É só um bebê.

Obviamente ela não sabia o que estava falando. Esta criaturinha não é um bebê, é uma máquina de manipulação das massas. É uma arma de tortura. Bonitinho, claro, mas torturante.

Vem comigo que vou te mostrar se isso é ou não é algo a mais que um bebê:

Na hora de dormir:

Se você tem um bebê que adora se embalado/chacoalhado na hora de dormir, parabéns, você não precisa de academia.  O bonito aqui só dorme se ele for chacoalhado/embalado e levar tapinhas leves no bumbum (porque tapinha não dói). Aí passo o dia assim, chacoalhando até meu braço perder a irrigação sanguínea. Quando chega à noite, eu, exausta, já tô trocando essa tarefa com o marido por qualquer coisa e até a louça pra lavar vira uma delícia. Só que marido não tem paciência pra ficar nessa tarefa de chacoalha/treme/bate e ele depois de 5 nanosegundos me solta: “nãoaguentomaisessemolequepesado”. Dá vontade de rir, porque na boa, com o braço o triplo do meu o boneco não aguenta ninar o bebê? Ahãm, senta lá Cláudia. Aí eu pego a criança. E ele vai ficando vesgo, vesgo e…..fecha os olhos. Nesse exato minuto SEMPRE o marido resolve (escolha aqui qualquer uma das alternativas): andar no chão que faz barulho e pisar na única tábua mais nhequenta. Abrir um pacote de batata fritas. Lavar a louça. Acidentalmente ligar o triturador de lixo. Derrubar uma bigorna no chão. Ou espirrar. Ou tossir. Ou Esquecer que tem um bebê e falar alto: “AMOR! ONDE tá (alguma coisa que ele sabe onde está?)”. Pois é… e o resultado disso é que nossa arma de tortura em massa sempre reabre aqueles olhos azuis. Aí ele re-dorme. E eu lá, com o braço formigando, doendo, pensando onde fui me meter. Espero a respiração ficar pesada, os braços moles e pronto: tá na hora de ir pro lugar dele. Pois é só eu me aproximar do carrinho ou cama, que os espinhos que tem lá, sobem e na hora em que me abaixo, espetam o Thomas em todos os lugares e aí? Bom, aí ele acorda e começa tudo de novo, até que finalmente ele resolve dormir. Mas não se enganem: tudo isso tem de trilha sonora o choro e mais recentemente o que eu apelidei de “gritinhos de Vera Verão.” Paraíso na terra.

No mercado:

Aí antes, em SP, a gente esperava ele dormir um pouco, enfiava no bebê conforto e se pirulitava pro Pão de Açúcar.

Aqui nos EUA, a gente tem que ir de ônibus, o que faz com que nossa saída seja um pouco mais burocrática: precisamos ver que horas o ônibus vai passar, dar uma mamadeira, enfiar ele em 435 cobertas e aí sim sair de casa. normalmente ele dorme no balanço do busão e chegamos no mercado, onde eu vou que nem uma maluca pegando tudo que precisamos antes de ele acordar. Normalmente eu esqueço alguma coisa “boba”, como o papel higiênico.  No mercado, é aquele corre-corre até que olho pra baixo e vejo: dois pares de olhos estatelados me olhando. Primeira reação? Ignorar. Aí começam as mexidas de pé, porque nenê vence. Vence a validade e eles ficam putos da vida num nível “paulista preso no trânsito na marginal”. E aí, meus caros: Só Deus pra ajudar. Ou melhor, nem Deus, porque nessa hora, você apela pra qualquer divindade.

Saindo de casa com ele no carrinho:

Não sei se na casa de vocês, o carrinho também tem pó de mico, porque aqui em casa tem. Basta colocar o Thomas no carrinho que pronto, ele se mexe, se vira, chuta, chora, pula. Por isso, adotamos uma tática: antes de sair com ele, damos leite. Aí enquanto ele digere o leite, eu coloco minhas 347 camadas de roupa e em seguida coloco a roupa dele. Embalo o boneco dentro de um saco de dormir, coloco gorrinho e enrolo tudo num cobertor. É, porque aqui tá tipo todos os graus negativos do mundo. Enquanto o Thomas tá sentado no carrinho, imóvel pela quantidade de roupas, marido e eu começamos a cantar. Mas manja cantamos pra tudo. tem o hit: “Amor, não esquece as chaves”, “Thomas vai passear”, “Cuidado que a Amy foge”, “Pega a carteira e passaporte”. Depois, enquanto colocamos a capa de plástico no carrinho, cantamos o hit de maior sucesso: “Pelo amor de Deus, não chora!”. E assim vamos, andando sem parar até ele dormir, o que normalmente leva uns 8 minutos, tempo de chegarmos ao mercadinho mais próximo!

 

Pois é, futuros papais. Nem sempre o bebê é….só um bebê….hehehe

(post dedicado ao Thomas aos 3 meses e meio, quando estava impossível. Hoje, aos 4 e meio se tornou um lord ;-D)

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14 comentários em “O terror em forma de guri

  1. Ri muito aqui a parte dos espinhos no berço e chacoalha bebê são durante o dia, tanto que desisti e de dia dorme na minha cama mesmo e não tem encantadora de bebês que a faça mudar de ideia

    Beijos

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  2. Bebê é uma maquininha mágica, como o ser humano que conhecemos, faz rir, faz chorar, não sai cheirando a lavanda nem com roupinha como nos filmes. Dá trabalho,. Dá alegria. Faz chorar de alegria e de desespero em alguns casos. É apenas um bebê, mas poderia ser a trilogia da criação do mundo rs

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  3. Ha, ha, ha…rir pra não chorar!!!Passei por tudo isso também com o meu babyssauro…a parte do marido é igualzinha, é o menino fechar o olho pra ele decidir bater porta, jogar(guardar) os talheres na gaveta, ouvir Queen…ai, como eu estressava!!!
    Só pra te cutucar: não acha que passou não, vai ver quando chegar os terríveis 8 meses e começarem as crises de ausência…aí o Thomas vai voltar a ser parasitinha novamente, aquele serzinho chorador se arrastando atrás de vc…

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  4. Eu tenho vontade de socar esses pais sem nocao… O meu fala como se nada tivesse acontecendo e nao repara q eu falo sem saair som… Pq sera?! Bebe dormindooooooo!!

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