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Sobre parto e violência

Eu nasci de parto normal. Meu irmão também. Minha mãe, meu pai e meus tios também. Meus primos, nasceram de cesárea. Um porque na época minha tia tentou o parto de cócoras e depois de 26hs em trabalho de parto, chegaram a conclusão que meu primo era grande demais (devia ser verdade, hoje ele tem 1.96m). Os outros foram nascidos por diversos motivos.

Eu sempre achei engraçada a relação do meu parto. Minha mãe me dizia que o tal “corte” era necessário para a “bexiga não cair”. Vejam bem, como eu já disse, nasci em 1982 e minha mãe era uma menina de 17 anos, pouco se falava sobre parto e etc. Eu nasci de um parto daquele tipo bem intervencionista: minha mãe ganhou episio, pernas amarradas, kristeller e eu fiquei praticamente 7hs sem contato com minha mãe. Não fui amamentada na primeira hora e passei amargas 7hs berrando no berçário – Estes dias, vendo as minhas fotos de horas de nascida, vê-se um bebê rosa se esgoelando num berço de plástico, sozinha. Naquela época, não se questionava. Minha mãe se sentiu heroína por ter tido uma médica que disse só fazer “cesáreas em caso de necessidade”. E assim foram seus dois partos, meu e meu irmão.

Agora, vamos para 2009. A semente da maternidade brotou em mim e eu me descobri uma leitora assídua de blogs e fóruns de maternidade. Lia tudo antes mesmo das notícias e emails de trabalho. Comecei a devorar o assunto, pois antes, achava que para ter um parto normal bastava ter um médico legal que aceitasse minha opinião. Ledo engano. Nesta época descobri o quanto os partos da minha mãe foram desrespeitosos e eu não quero isso para mim e para meu parasita. Comecei minha busca frenética em achar um médico que fosse em linha do que eu pensava ser um parto digno e neste caminho encontrei várias pérolas. Desde mulheres do meu trabalho que diziam não querer parto normal por todos os motivos estapafúrdios, até por médicas gestantes que marcaram cesárea de acordo com a numerologia. eu vi isso. eu me revoltei com tudo isso. 

Até que as mulheres ao meu redor, começaram a engravidar e eu, na vã esperança de querer abrir os olhos delas, fui muitas vezes tachada de “radical” quando bradava para os 4 cantos que só farei cesárea se eu ou meu bebê estivermos em risco de morte DE FATO. Ouvi que meu marido era muito alto (1.73m) e eu muito baixa (1.56m), por isso, seria cesárea (?). Ouvi que ficaria com tudo largo (Oi? vagina de Lycra?). Ouvi que parto normal é loucura. E com o tempo, aprendi a guardar para mim e meu marido minha opinião. 

Aí encontrei um Obstetra Parteiro. que tem uma equipe que pensa como eu: que gravidez não é doença e que toda mulher pode e deve ter a chance ao menos, de parir. E eu, mais uma vez guardei minha opinião. Li relatos, me emocionei e decidi que para o nascimento do meu parasita, os protagonistas serão eu e ele (a). Não quero que piquem meu filho com vacinas, que enfiem colírios para gonorréia à toa, que dêem glicose, que me maltratem e que me separem do meu bebê tão precioso em seus primeiros minutos preciosos, não quero que meu marido seja aquele que vai levar o NOSSO bebê à uma janela sem graça par a família tirar foto e postar no Facebook. Quero que nosso nascimento, de mãe, de pai  e filho, seja respeitado, seja calmo e seja mais que tudo: NATURAL.

Para isso, tenho meu plano, tenho ideia de como quero que seja o curso natural das coisas. Mais importante que a equipe que estará ao nosso lado, é a minha vontade de parir. Eu sei que sou capaz e eu quero que isso aconteça. O fato de ter que desembolsar a grana de uma viagem para que eu tenha uma equipe decente para me auxiliar, não tem preço. 

Fico revoltada de ter que pagar um valor estratosférico para que eu tenha um parto decente, mas infelizmente, esta é a realidade deste nosso país e eu prefiro gastar uma grana do que entrar para uma estatística, seja ela de cesárea desnecessária ou por um parto traumático.

Estou sem acesso ao youtube aqui na empresa, mas acessem o site da Cientista que virou mãe e assistam, divulguem e se conscientizem sobre esta tristeza que é o parto no Brasil Só assim podemos mudar!

Wake up, mulheres brasileiras!

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15 comentários em “Sobre parto e violência

  1. Esta certissima! A idiota aqui não viu os preços naturai ou domiciliares e infelizmente terei meu bebe num hospital (a nao ser q eu seja sortuda e o parto seja rapido e ele escorregue aqui em casa mesmo huahuahuha).
    Mesmo assim tentarei o aprto natural no hospital pff, vamos ver quem tem mais teimosia eu ou os medicos q vao me atender hauhuahuua

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  2. Assisti essa semana o vídeo. Fiquei um pouco chocada. Nunca tinha pensado dessa forma. Sempre fui a favor do parto normal e sempre fui contra essa “mania” de brasileiro de fazer cesária “desnecessária”. Queria MTO ter tido meu filo de parto normal, esperamos até 40 semanas. Ele nao desceu, não encaixou e a minha obstétra disse que o melhor e mais seguro era a cesária. Confiei mto nela pois durante toda a gestação ela teve todos os “motivos” para me indusir à cesária e não o fez. Mas esse vídeo me deixou com uma pulguinha atrás da orelha. Ter feito uma cesária pra mim foi uma decepção mto grande. Fiquei um pouco traumatizada, a anestesia me fez mal, tive uma pequena crise claustrofóbia na volta da anestesia. Enfim…não foi a melhor experiencia do mundo…longe disso! Lembro de ter falado para o meu marido no dia seguinte que nunca mais ia ter filho se fosse pra ser daquele jeito. Preciso pensar mais um pouco, entender direito o que aconteceu para dar uma opinião. Nunca imaginei que poderia ter sofrido uma violência obstétrica…😔

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    1. Então, o grande prolema é exatamente esse: as mulheres sofrem uma violência sem tamanho e nem se dão conta disso, entendemos que “tudo faz parte do processo”. Mas não precisa ser assim, não deve ser assim. antes de eu começar a me informar sobre partos e afins, eu tb achava que podia confiar nos médicos e que eles sempre saberiam o que é o melhor, mas infelizmente, aqui não é bem assim. Comecei a questionar, um dia, há 5 ou 6 anos qdo perguntei para minha GO na época o que ela chava de PN. a rsposta dela foi: “ah, não faço, pq na hora do parto o ânus e a vagina ficam muito próximos, pode ser perigoso”. Fiquei pensando se pq raios isso seria um problema na hora do parto, visto que estas minhas duas partes são amigas, andam sempre juntas…rsrs
      aí comecei a me questionar e vi que existe toda esse movimento que vai exatamente em pró do que eu acredito que seja uma via de parto segura e decente e por isso, farei uma mega duma poupança para poder receber meu bb com uma equipe que seja alinhada com o que penso e que, se caso eu precise de uma cesárea, saberei que é pelo motivo certo!
      bjoksss

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  3. Adorei!!
    Confesso que acho que estao aumentando o numero de nulheres que querem parto normal, ou to viajando pq elas estao mais fortes com as midiss socias?!
    Ja iuvi amigas dizerem parto vaginal e parto cesaria, pq os dois sao normaisl.. Oi?!
    Gracas a Deus muitas das minhas amigas que estao gravidas querem parto normal e algumas realmente vao pagar pra ter uma equipe que nao age pq quer tempo, mas que agem pq é o mais saudavel e mais seguro.
    Confesso que quando vim morar no canada (tem nem um mes, ok?, hahaha), fiquei um pouco receosa pelo risco de nao ter opcao da cesaria… Mas isso foi ate antes de eu chegar aqui.. Depois pensei o quanto idiota eu sou e conversando com uma amiga que pariu na banheirs, ela disse que inclusive aqui, gravidez de baixo risco as pessoas tem filhos em casa!!
    Ok nao quero isso, mas li em bkog de maes que pariram aqui e vi o quanto eles sao preparados e sabem o que fazem,,, fiquei tao mais tranquila que na mesma hora tirei esse medo de nao ter opcao de parto cesaria. Hehehehe

    Mas que bom que vc achou uma equipe que confie e que siga a mesma linha de raciocinio que a sua… isso é tao bom, tao confortante…

    Beijos!

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    1. Então, essa questão de parto é mesmo delicada! Aí no CAnadá eles tem a opção da cesárea, mas só quando ela de fato é necessária e não esse carnaval que temos auqi no Brasil! rs É complicado mesmo, pq eu sou a maior bundona para cirurgias, eu ODEIO! Tipo, em 30 anos de vida, nunca nem soro tomei…rsrsrs Mas é complicado, eu acho que conforme as mulheres forem se informando, fica mais fácil de mudarmos o panorama do parto no Brasil, o problema é que vejo que por aqui, as mulheres querem sempre o mais rápido e prático… Enfim, é uma questão bem pessoal e eu prefiro ficar umas 24hs esperando a criança nascer do que ter ela “nascida” rsrs
      bjs

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  4. Nossa Carol, é tão confortante encontrar pessoas com seu pensamento, sabe? eu estou grávida de 2 meses, e tb venho acompanhando há mais de 2 anos informações sobre partos, e desde então sempre quis o natural. As pessoas me veêm como um ET. Por isto, hoje grávida, não comento muito, digo que vou procurar alguma maternidade que aceite meu convênio e “ver no que vai dar”. Porém, já tenho a certeza de ir para a casa de parto, que é próxima da minha casa. Espero que os exames sejam favoráveis para isto,.EStou acompanhando seu blog, muito legal. Parabéns!

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    1. Oi Rosana!!
      Pois é, eu senti e ainda sinto na pele esse preconceito bobo com o que é natural! A gente tem mesmo que se informar, conhecer o corpo e fisiologia do parto!
      Por mais que eu odeie dizer que “vou tentar normal”, eu digo, é mais fácil lidar com a ignorância alheia sem ter que dar mil explicações! hehe
      Estou torcendo para vc conseguir a casa de parto, lá é mágico!
      bjosss

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      1. Oi Carol, obrigada pela resposta e atenção. Eu também uso muito esta frase de tentar o normal, vejo caras e bocas de pensamentos “será que ela aguenta” mas estou certa do que quero, e sei que o procedimento humanizado é totalmente diferente. Sorte para nós. Continuo acompanhando seu blog. Parabéns.

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